Entre estes esteios da chuva e do prumo
quando as gotas fazem pios no espinho
caindo nas rosas suas mortalhas
uma gruta esconde
o lampejo noturno da madrugada
madrugada dormente não de noite
Nenhum escuro na pele eriçada
É agora um tanto de aurora
No regato macio, indelével
- onde corre o mar. E invento janelas
cortinas, searas.
E paira algum calor
Onde eu mesmo invento intentos
de rostos -
dou-te face imaginada
Este é o lugar
onde os pássaros, feito gentes, calam-se aturdidos
Num dizer de clamores
Caídos como anjos bêbados na madrugada
Junto a moça que incinera asas no quintal:
um quintal de aves morridas
Meu regato ainda alvo, ainda alvo de lembranças
puídas, assim dorme
estirado na meia-luz
lilás, um fiambre, um dormente,
da porta que não se aguenta impaciente
e então eu mesmo abro:
que entrem as miragens
da madrugada
transfigurada
do ente que cruzou a esquina
e se foi
- na gota -
molhada de rosas enxangues.
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